Resenha do texto "Nativos Digitais, Imigrantes Digitais", de Marc Prensky
Marc Prensky é um escritor americano e ministra palestras nas áreas de aprendizagem e educação, com foco na integração de tecnologias no processo de ensino/aprendizagem.
Em seu texto Nativos Digitais, Imigrantes Digitais, Prensky explica quem são os nativos e imigrantes da era digital. Nativos Digitais seriam aqueles que nasceram e cresceram em meio aos grandes e rápidos avanços da tecnologia e à prosperidade econômica, após a década de 1980 até meados de 1990, e que por isso estão familiarizados com os mais diversos recursos digitais, pois convivem com eles desde muito cedo. Já os Imigrantes Digitais seriam aqueles que antecedem a geração da tecnologia. Fazem uso de algumas plataformas digitais, mas não com o mesmo dinamismo e habilidade dos nativos. O texto de Prensky analisa as questões que envolvem os nativos e imigrantes inseridos no contexto educação/ensino/aprendizagem.
Por crescerem e amadurecerem em frente ao computador, os alunos nativos digitais desenvolveram formas de pensar e processar as informações de formas bem diferentes das gerações anteriores. Eles têm pouca paciência para palestras, passo-a-passo e instruções que ditam o que fazer. Os professores imigrantes digitais não se dão conta da influência que essas novas formas de pensar, processar, fazer uso, transmitir informações, de se comportar e de se relacionar com as pessoas e o mundo têm no processo de aprendizagem de seus alunos. Para eles os alunos são os mesmos que aqueles para quem a escola foi pensada há muitos e muitos anos, e continuam a reproduzir formas de ensinar de seus tempos de estudantes, e dos tempos de seus pais, de seus avós...
E o que essa forma arcaica de se ensinar e aprender, em meio a uma sociedade altamente tecnológica, produz nos alunos, sejam eles do nível que for? Produz uma falta de motivação, interesse, uma inadequação com relação a sala de aula, um ambiente estático e formal, totalmente diferente das infinitas possibilidades que as tecnologias lhe possibilitam.
Então, o que pode ser feito para que estabelecimentos de ensino, escolas principalmente, se insiram nessa realidade tecnológica? Professores devem estar dispostos a aprender lidar com os recursos digitais, a fim de que possam utilizá-los de forma eficiente em suas aulas, na construção do conhecimento junto de seus alunos. A seleção dos conteúdos também é importante. Para Prensky, há dois tipos de conteúdos: o Legado e o Futuro. O conteúdo Legado abarca os conteúdos do currículo tradicional, como ler, escrever, aritmética, raciocínio lógico, compreensão de textos e de fatos do passado. O conteúdo Futuro é digital e tecnológico e envolve temas como software, hardware, robótica, nanotecnologia, genoma, além de ética, política, sociologia, línguas e outras coisas que os acompanham. O desafio que se apresenta aos educadores é sobre como ensinar tanto o conteúdo legado quanto o futuro na língua do nativo digital.